sábado

Maldita droga!

Os pássaros grandes, quando intentam urdir um ninheiro, não têm comiseração de qualquer espécie.
Maldita droga!

Tenho tanta pena de não te conseguir dar a mão!
Tenho tanta pena de que a droga seja o teu pão!
Tenho tanta pena de que, quando te ia conseguindo a recuperação, a tua mãe não tenha permitido, dizendo que não ia deixar o filho recluso num Eremitério, sem poder ter a família por perto. No entanto, agora que a começaste a odiar, lavou de ti as mãos!
Essa aleivosia empurrou-te para as ruínas da cidade, onde te perdes numa infinitude de delinquência e miséria.

Lembras-te Tó, quando eras ainda um miúdo no último ano da catequese, e no grupo te indagámos se era verdade que fumavas charros?
Nem sequer te remeteste ao silêncio. Negaste. E soubeste tão bem negar, com um tão grande misticismo, que todos fingimos acreditar. Mas fiquei de olho em ti.
O teu pai chegou a falar-me da tua inteligência como uma enorme preciosidade. E eu sei que assim era. Mas começaste a fumar cada vez mais e foste enredado totalmente nas malhas dessa teia impiedosa.

Quando ainda estarias a tempo, sabes bem como demos os passos necessários a que mudasses de ares, para te libertares desse vício assassino… mas à última hora, foste levado a não sair de casa. Mais tarde, outros te tentaram ajudar e te conseguiram internar. Mas, esse sincelo que se despenhou e se espetou em ti, já estava por demais enterrado que nunca mais te abandonou.

Tenho tanta pena de não conseguir encontrar o unguento eficaz que te cure as feridas, para que ganhes o ânimo necessário a te libertares desse reino dos mortos vivos!
Maldita droga!

13 comentários:

antonio - o implume disse...

Esse é um combate desigual, não existe unguento nem amor que por vezes lhe acuda...

Cátia disse...

Minha querida,

Adorei, simplesmente adorei este teu texto, fantastico! Acho que falas de um tema muito importante e que é preciso salientar, pois infelizmente está cada vez mais presente nas nossas amizades, nas nossas familias e que é tao dificil de lutar. Uma luta desigual, sim...

Parabens pelo texto!
Muitos bijinhos

Luisa_B disse...

Olá amiga,
Drogas e outras que não chamamos de droga mas que agem como tal, alienando as pessoas do mundo real.
Mas...por vezes dou comigo a pensar, não fosse o mal que elas fazem ao organismo de quem as consome e ao humor que depois os transtorna na ausência, este Mundo, por vezes origina esta "fuga" de tentar não olhar o que por cá vai, há tanta coisa bela na natureza mas...tantas outras coisas feias, horríveis de se ver e ouvir e há quem de certa forma tente fugir disso tudo não pensando muito nas consequências.
Não me refiro a esse caso em particular mas a muitos que fui tendo conhecimento e onde tentei dar a mão de ajuda sem sucesso infelizmente.

liliana disse...

k bem k m lembro desta situaçao no ultimo ano d catequese.poderia ter sido ai que tudo terminara.ms é o destino d cada um, infelizmente este rapaz nao teve a sorte d ter uma familia k o ajudasse. é muito triste, pior mesmo é saber que tantos se encontram neste mundo dos mortos vivos.
que Deus o ajude na solidão em que se encontra.

Fontez disse...

texto profundo e real.
forte que nos puxa pela consciência e reflexão.

"maldita droga"...infelizmente.

beco sem saída.

Justine disse...

Como sempre, uma história muito bem urdida!
Beijo:))

Eli disse...

Quando as letras nos soltam um rabisco de revolta, a imaginação deixa-nos fuir, num canto fácil de um violino.

Parabéns pela música escolhida e pelos sentimentos invocados!

:)

Salto-Alto disse...

Gostei imenso do texto. :) Beijinho

Mariz disse...

Slvé amiga!

Que luta inglóra...
Quando o "não consigo" se sobrepõe á força intrínseca...o resultado está aí!

Que a libertação chegue!

Abraço de sempre
Mariz

ESPAVO!

Paula Raposo disse...

Um fantástico texto!!
Foi um enorme prazer ter-te conhecido pessoalmente no sábado passado. Agradeço as tuas palavras. Obrigada pelo carinho. Beijos.

Gilbamar disse...

Infelizmento o caminho negro da droga muitas vezes não tem volta. Felizes os que conseguem escapar desse demônio químico.

Deixo meu fraterno abraço amigo.

vida de vidro disse...

Terrível vício, o que estraga tantas vidas. Muito bem escrito, o teu texto.

Gostei muito de te conhecer, no sábado. Beijo

Cris disse...

Que lindo texto! Que problema terrível!

Beijinhos