terça-feira

Regresso ao mundo I

A janela semicerrada deixava entrar uma claridade suave, que transmitia uma aura pacificadora e tranquila. O silêncio era entrecortado, aqui e ali, por um misto de vozes sussurradas e passos no corredor.

Deu a volta à cama, aproximando-se da janela e ficou por momentos a espreitar pelas frestas, sem nada ver.
O coração queria saltar-lhe do peito, tal era a sua ânsia de a abraçar, de a beijar. Mas tinham-lhe recomendado que não a acordasse. Estava sob o efeito de sedativos pois os traumatismos eram muito grandes.
Olhou-a. O seu rosto tinha o mesmo encanto que o prendera, apesar daquela marca roxa do lado esquerdo.
Será que se lembraria dele?
- Quem está aí?... – perguntou Luísa num leve murmúrio.
Entreabriu os olhos e tentou fixar aquela silhueta luminosa que se encaminhava para si.
Ele não resistiu a pegar-lhe na mão, sem dizer nada.
Ela baixou novamente as pálpebras, deixando a sua mão naquela que a prendia, sentindo como se fossem duas gotinhas de água juntas num lago azul. Sonhava. O mundo parecia cantar.

5 comentários:

antonio - o implume disse...

Talvez esse seja o verdadeiro sentido das mãos dadas, entrelaçadas: duas gotas num imenso oceano, completando-o.

Salto-Alto disse...

Muito giro o texto. Parabéns!

beijocas!

O Profeta disse...

Inspiraste-me paz...harmonia...


Doce beijo

Cris disse...

Ai, o amor...

Beijinhos

Justine disse...

Tens o dom de saber contar, o dom de saber recrear um ambiente onde se sente ternura, ansiedade, esperança.
Belo texto:))