terça-feira

Finalmente

Os braços estendidos com as mãos abertas são asas que planam ancoradas à ânsia de um encontro perdido de afecto; planar é uma forma de suster a respiração, para absorver uma explosão de sentidos inebriante.

Há uma tela a tingir-se de um colorido novo: a entrada de dois passarinhos com a insegurança de um primeiro voo. Dois olhitos ansiosos, seguidos de outros dois assustados, exploram o espaço desconhecido. Ao fundo, a luz: a figura central, única. Agora, nada mais importa. As pernitas saltitam sem sentir o chão e os bracitos abrem-se e esticam-se para abarcar toda a emoção e deixar esvair toda a saudade, numa configuração de amor e terapia.

Dói. Oprime. Sufoca. Mas é vida que flui. Chovem beijos salgados, prisioneiros de um mar de abraços, em sucessivas ondas, que acabam por se espraiar até ao relaxamento; uma dança de mãos que acariciam rostos, de olhares e sons que traduzem a grandiosidade do colo de mãe.
Agora, nada mais importa: só mãe e filhos juntos, de novo!

12 comentários:

antonio - o implume disse...

A mãe sempre foi um mar em que mergulahmos depois de termos nascido dele...

Princesa disse...

- A felicidade não está em viver, mas em saber viver. Não vive mais o que mais vive, mas o que melhor vive.
um beijo

Filoxera disse...

Tocou-me demasiado.
Sei o que dói. Infelizmente, sei isso e muito mais, que nunca imaginei sequer...
Um beijo.

O Profeta disse...

Nascem a todo o instante
Os sentires vindos da alma
Tatuados a cada semblante

Um beijo na tua procura
Um abraço fica suspenso
Um sorriso desponta da tristeza
Um olhar prende o momento


Boa semana



Doce beijo

São disse...

Depende da mãe, depende de como ama ou não as suas crianças...

Beijinho.

Isabel José António disse...

Querida Amiga Fa menor,

Lindíssimo texto, cheio de profundidade amorosa e solidariedade, com figuras de estilo a condizer.

Parabéns.

Um braço

José António

Bruno Cardona disse...

Olá, desde já agradeço a sua visita e as suas palavras no meu blog, adorei vir aqui e sentir desta forma todos estes sentimentos.
Voltarei sempre.
Bruno Cardona.

anad disse...

Todos os que vivemos neste planeta terra necessitamos de afecto.
temos de preservar os afectos como um bem fundamental para o equílibrio quer dos humanso quer dos animais.
Gostei do seu blogue. Vou voltar.
Um abraço
Anad

Elcio Tuiribepi disse...

Não sei ao certo o siginificado do texto, imagino, e uma coisa posso afirmar: o texto é escrito com a nota Fa Maior...muito bom, comecei a ler, pensei em outro sentido, e quando descobri o real, ficou melhor ainda, desculpa a demora em responder...fim das provas...férias finalmente...um abraço na alma

poetaeusou . . . disse...

*
Fá menor
,
quanta sensibilidade
bebo na tua fonte,
,
a dança espraiada
pelas vagas trazidas
dão vivas ás vidas
nas marés libertas
do salgado mar,
,
bem hajas, amiga,
,
*

Isabel José António disse...

Que comovente texto! Parabéns...

É verdade que andámos um pouco ausentes, mas foi porque tivemos problemas no nosso computador e o muito trabalho do costume. Agora estamos de regresso com novos posts, para já no Caminho do Coração e no Poesia Viva!

Um abraço e esperamos também por si!

Isabel

Fa menor disse...

Obrigada a todos pela visita, pela partilha, pela amizade!