quarta-feira

Entre portas e janelas

Uma porta que se fecha pode ser uma janela que se abre. Uma corrente de ar repentina: um sopro mais forte de vento que escancara esta e obriga a fechar aquela; ou um vácuo que se cria pelo trancar da porta que obriga a janela a dar de si. Seja como for: janela que se abra para bater com a porta ou porta que se feche para que o ar entre pela janela, o mundo não pára para acontecer.
Assim sucedera mais ou menos com Luísa: o fecho de uma porta; uma janela aberta. E um mundo lá fora à espera; e outro a nascer-lhe nas mãos. Mundos diferentes que lhe respiravam na pele e lhe transpiravam no olhar.
Por uns tempos ficara para trás a Faculdade e a sua vida de docente, para dar lugar a uma vida doméstica, quase de reclusa.
Os sogros, dois filhos a crescer - um a pular pela casa e outro a pular dentro de si - traziam-lhe os dias de tal modo preenchidos que não tinha tempo para pensar em nada mais.
Tinha sentido alguma dificuldade e apreensão inicial para contar da gravidez aos seus velhinhos, mas eles até haviam reagido melhor do que contara. Lembrava-se das palavras que a sogra então lhe dissera: “Filha, fizeste um grande disparate, sabes disso?”. Ela assentira, corada, pedindo-lhes que não a mandassem embora. E respirara fundo, aliviada, quando eles, olhando um para o outro, lhe disseram que se ela precisava deles, eles também precisavam dela.
Foi assim que Luísa passou a morar ali naquela casa grande: não só essa porta não se lhe fechara como, por entre as cortinas das suas janelas abertas, o sol lhe fora trazendo alguns sorrisos.
Tinha consciência de que fizera grandes disparates… mas, ainda assim, achava que maior disparate teria sido nunca se ter permitido amar.

20 comentários:

gabriela r martins disse...

seguirei ,a passo e passo ,os "passos" de Luísa....



.
um beijo

antonio - o implume disse...

Nem tudo na vida se exclui mutuamente, os disparates do tamanho de portas ou de janelas, podem trazer uma brisa de felicidade.

RETIRO do ÉDEN disse...

Tenho alguma dificuldade em compreender a situação. Provavelmente é o meu preconceito a funcionar. Deus deu-me uma capacidade que, cada vez mais, vejo ter sido ENORME...e eu tenho feito uso dessa capacidade. O fruto proibido é mesmo proibido e ponto final.
Há amor e amor...um filho sem pai, porque a progenitora não se acautelou...nem sequer deveria ter iniciado esse dito amor. Vejo mais uma necessidade "carnal" do que amor propriamente...o amor verdadeiro é sinónimo de renúncia.
Se o jovem aluno era assim tão jovem...deveria ter renunciado a esse amor, por amor desse jovem que ainda estava no começo da vida e nem sequer saberia se era mesmo da Luisa que gostava para um futuro conjunto...e a Luísa por amor a um/uma filha que vem a caminho deveria ter renunciado e não arriscar, pois assim sendo, não vai ter uma família natural de pai e mãe e avós verdadeiros...
Não quero com isto dizer que estou a julgar a Luísa e muito menos que devesse fazer algo ainda mais terrível...um aborto! isso nunca, seja em que circunstância for, se deve equacionar e muito menos executar tal acto.
Louvo os avós...no meu caso faria o mesmo, aceitava a fraqueza da Luísa, dar-lhe-ia todo o meu apoio e força para não se culpabilizar mais, mas gostaria que lhe tivesse servido de lição.
Retalhei...a direito!
Desculpa, mas assim também mostrei um pouco de mim, da minha maneira de ser.
Sou pragmática e há tabus que Deus me ensinou a cumprir com o maior rigor. Assim fui sempre, assim fiz, assim espero continuar até ao fim dos meus dias.
Vou continuando com muito interesse esta vida desta Luísa.
Abraço forte
Mer

Fa menor disse...

Ora aí está uma grande tesourada :)


Obrigada, amigos!

JE VOIS LA VIE EN VERT disse...

Olá Fá,
Não tenho seguido a história da Luisa mas só posso dizer que a vinda duma criança é uma bênção mesmo se é a partida não desejada mas bem aceite numa família. Segundo o que li, a Luísa não teria marido mas tem o seu amor e o dos sogros. Tantas crianças vivem em família monoparental e até podem ser mais felizes do que em famílias biparentais cujos pais não lhe ligam ou passam o tempo em zangas. O amor primeiro e o resto ? logo se vê... mas as portas t~em que ser abertas para entrar o ar, o sol, a vida !
Beijinhos
Verdinha

so sad disse...

não concebo a vida sem um amor.
beijo!

Kim disse...

Amar - tem destas coisas. Normalmente, nestas situações pode ter um preço muito caro a pagar, mas costuma-se dizer que o amor vence barreiras.
Fá maior - há muitas Luisas neste mundo.
Beijinho para ti

Lilá(s) disse...

Sigo com prazer e interesse a história de Luisa, cá estarei para a próxima etapa da vida dela.
Beijinhos

O Árabe disse...

Com certeza, disparate maior não poderia haver. :) Boa semana, amiga!

Nilson Barcelli disse...

Quando há portas que se fecham, é preciso procurar outras portas ou janelas...
Belo texto, querida amiga.
Boa semana. Beijos.

DE MÃOS DADAS disse...

Linda História
Radical é para mim ir contra a liberdade do outro.

O erro é humano e nem todos sabem aprender as lições da vida duma só vez.

A Luisa foi uma grande mulher pelo que vejo não deixou que a vida que vivia dentro dela morresse antes de viver, a sogra fez o seu papel.

Na vida de qualquer Vida, havendo Paciência, Amor e Compreensão as portas abrem-se... não precisam estar todas abertas.

Muitas portas abertas fazem corrente de ar...
E claro fazem doenças...
Cada um reflete diferente mas o principal é o Amor e a Caridade
~E a Compreensão.
Beijinhos
Utilia

Baila sem peso disse...

Uma Luisa igual a tantas...
e no amor portas e janelas são
no amor, as dores que encantas!
Acho que não se pode apontar
nem se deve provocar corrente de ar!
Apenas ter perfeito juizo para ajudar
pois os disparates da vida
por vezes são dificeis de suportar...
e ninguém está livre de os "encontrar"!

continuo a acompanhar...

bjinhos

. intemporal . disse...

.

. o maior disparate é nunca nos permitirmos amar . e não permitir que sejamos amados .

. porque das portas e das janelas o mundo não se compadece lá fora ou cá dentro e o tempo urge des.tempo .

.

. bel.íssimo . este acompanhar .

.

. a.par.e.passo . por onde passo e re.passo .

.

.

. de coração lasso .

.

.

. um beijo .

.

helia disse...

Concordo com a Luísa : O maior disparate teria sido afastar o Amor!

Vanuza Pantaleão disse...

Não se dar o direito ao ato de amar, o maior dos disparates.
Um texto de grandes reflexões.
Obrigada, amiga!Bjs

ONG ALERTA disse...

Luisa tem o direito de viver...
Beijo Lisette

poetaeusou . . . disse...

*
entre portas e janelas,
o amor permanecerá !
,
conchinhas,
ficam,
,
*

so sad disse...

me fecharam a porta e a janela...
beijo!

Nilson Barcelli disse...

Voltei para te ler, mas as portas e as janelas estão fechadas... isto é, não publicaste desde a última vez que cá estive...
Boa semana, beijos.

Vieira Calado disse...

Olá, boa noite, com o está!

Passei para ler e deixar

as minhas mais cordiais saudações.