sexta-feira

A Casa dos Ratos 1


Um dia, pela manhãzinha, o senhor João encontrou uma ninhada de ratinhos, dentro de um saco de trigo.

A adega estava escura e silenciosa quando o senhor João entrou. Em casa ainda todos dormiam. Como o sono o tinha abandonado, pensara então que era melhor levantar-se e ir fazer umas arrumações no celeiro, pela fresca. O celeiro ficava por cima da adega, ao lado da cozinha. Subiu, com cautela, as escadas escuras, de madeira velha a ranger sob os seus passos, sem acender a luz, até ao celeiro, onde o sol começava a querer espreitar por uma janelinha fosca de pó e de teias de aranha. “Isto tem que levar uma grande limpeza”, acenou com a cabeça, em gesto de assentimento aos seus próprios pensamentos.
— Olá!... – desconfiou ele assim que pôs os olhos numa das tampas do comprido cadeirado dos cereais – alguém deixou isto mal fechado... por certo já entrou rataria.
Mal começou a levantar a tampa... e lá estavam eles! Saltou um, depois outro, de dentro do saco de trigo de boca desatada. E, enroladinhos uns nos outros, aninhados no quentinho do ninho em cima do trigo, quatro filhotes pequenininhos que ainda não abriam olho. Puxou instintiva e rapidamente as abas ao saco do trigo, fechando-o com ambas as mãos... E agora?... Que iria fazer, agora, com estes hóspedes cinzentos, horrendos roedores vira-latas?