Mas ninguém mas quer comprar
São tão baratas, tão lindas
Mais lindas não pode achar."
Vou cantar esta canção na festa da minha Profissão de Fé.
Sim, porque depois da Profissão de Fé, vai haver outra festa, em que todos vamos participar com umas pequenas peças de teatro, danças e canções.
Está a aproximar-se o dia e os ensaios andam a chatear-me. Não são propriamente os ensaios que me chateiam, apesar de eu já saber a minha canção de cor e salteado e ter de ensaiar ainda mais com os dois seminaristas que vão acompanhar-me à viola. Não, não é isso que mais me chateia.
Nos dias dos ensaios vou directamente da escola para lá de autocarro; mas na volta para casa é uma estafa a pé durante meia hora... bem, algumas vezes ainda é mais, muito mais, quando, pelo caminho, vamos apanhar cerejas tão vermelhinhas, àquelas cerejeiras carregadinhas delas, que só de olhar fica-se com água na boca. O pior é quando a dona lá vai dar connosco... ai, ai, já mais do que uma vez... isso é que foi fugir! Isso é que é aventura! Mas eu acho que não fazemos mal nenhum. Roubar para comer não é pecado, dizem-me as colegas. A avó dizia-me que pecado era estragar, mas para matar a fome não; mas que nunca fosse às uvas, porque essas davam trabalho e despesa a tratar com sulfato e enxofre; isso era pecado porque dava prejuízo. Pecado é, portanto, prejudicar alguém. Então, ir às cerejas, não faz mal. Acho que não, pois se não as comermos nós, comem-nas os pardais... elas são tantas e tão pequenas que os donos não são capazes de dar vencimento a apanhar tanta coisa...
Mas o que me chateia, mesmo, mesmo, é quando somos corridas à pedrada pelo grupo dos rapazes. Eu não sei o que se passa naquelas cabeças chochas para nos atirarem pedras, ou porque será que são assim tão maus. O que é certo é que todas as miúdas têm medo deles. Tentamos sempre manter a distância. Mas se ficamos para trás fazem-nos uma espera... se vamos à frente acabam por nos alcançar...
Por isso é que estou desejosa de que acabem os ensaios.
E também que chegue o dia de eu cantar as flores.
Sim, porque depois da Profissão de Fé, vai haver outra festa, em que todos vamos participar com umas pequenas peças de teatro, danças e canções.
Está a aproximar-se o dia e os ensaios andam a chatear-me. Não são propriamente os ensaios que me chateiam, apesar de eu já saber a minha canção de cor e salteado e ter de ensaiar ainda mais com os dois seminaristas que vão acompanhar-me à viola. Não, não é isso que mais me chateia.
Nos dias dos ensaios vou directamente da escola para lá de autocarro; mas na volta para casa é uma estafa a pé durante meia hora... bem, algumas vezes ainda é mais, muito mais, quando, pelo caminho, vamos apanhar cerejas tão vermelhinhas, àquelas cerejeiras carregadinhas delas, que só de olhar fica-se com água na boca. O pior é quando a dona lá vai dar connosco... ai, ai, já mais do que uma vez... isso é que foi fugir! Isso é que é aventura! Mas eu acho que não fazemos mal nenhum. Roubar para comer não é pecado, dizem-me as colegas. A avó dizia-me que pecado era estragar, mas para matar a fome não; mas que nunca fosse às uvas, porque essas davam trabalho e despesa a tratar com sulfato e enxofre; isso era pecado porque dava prejuízo. Pecado é, portanto, prejudicar alguém. Então, ir às cerejas, não faz mal. Acho que não, pois se não as comermos nós, comem-nas os pardais... elas são tantas e tão pequenas que os donos não são capazes de dar vencimento a apanhar tanta coisa...
Mas o que me chateia, mesmo, mesmo, é quando somos corridas à pedrada pelo grupo dos rapazes. Eu não sei o que se passa naquelas cabeças chochas para nos atirarem pedras, ou porque será que são assim tão maus. O que é certo é que todas as miúdas têm medo deles. Tentamos sempre manter a distância. Mas se ficamos para trás fazem-nos uma espera... se vamos à frente acabam por nos alcançar...
Por isso é que estou desejosa de que acabem os ensaios.
E também que chegue o dia de eu cantar as flores.
"Meu senhor comprai as flores
Que ventura só vos dão
E à floreira que as cultiva
Dão-lhe vida, gosto e pão."
Lindo!
ResponderEliminar(eu apanhei amoras, há dias)
Um beijo.
ahahah, os gaios fartam-se de comer cerejas e não vão pró inferno por isso.E então as uvas...comi tantas quando ia para a catequese que se calhar vou fazer companhia ao belzebú...
ResponderEliminarSeja feliz, você merece...e eu também.E como não sou invejoso desejo que o resto do mundo também encontre a felicidade....
Os homens sempre atiram pedras às mulheres, incoscientes do seu destino.
ResponderEliminarQuerida Amiga,
ResponderEliminarLindo texto. Parabéns.
Já viu as receitas ques postei?...
Um abraço
António Machado
*
ResponderEliminaramigos comprai flores
neste canteiro – mor
olhai, são uns amores
são como a Fá Menor . . .
,
conchinhas floridas, deixo,
,
*
Mas...
ResponderEliminarEu nunca te atirei pedras!
Ou será que atirei!?
Não me lembro!
Um beijo
Now
Deliciosa, a tua prosa - tal qual as cerejas vermelhinhas!!
ResponderEliminarAinda há cerejinhas nas árvores?
ResponderEliminarFá,
ResponderEliminarEspero que esse dia seja para ti um dia de sonho, e que tudo te corra bem.
Bjs.
A ficção sugerida e a hipótese de realidade misturam-se para provocar um estado contemplativo dos pontos de interrogação que não foram escritos.
ResponderEliminarHábil escrita, sobretudo na organização do discurso.
Belas quadras.
Beijinhos
Gostei muito.
ResponderEliminarBoa Profissão de Fé
A dualidade sempre presente, se porum lado fazes com satisfação, por outro lado estas com vontade que termine dpressa, vai tudo correr bem
ResponderEliminarbeijinhos
Gosto do teu estilo. E tenho certeza de que bem irás cantar as flores. :) Boa semana!
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