11/07/2009

Dizer adeus


Dormi pouco esta noite e levantei-me cedo, ao contrário do costume, pois gosto muito de dormir e de me levantar o mais tarde que puder. Mas hoje não consegui. Tenho um nó na garganta, queria chorar mas não sou capaz.
As imagens perseguem-me onde quer que esteja, aonde quer que eu vá, faça eu o que fizer. Franzi-me, abanei a cabeça para um lado e para o outro, mas não adiantou nada: os pensamentos continuam a incomodar-me.
Estou sozinha em casa e isso torna-me ainda mais pensativa e faz as recordações revolverem ainda mais na cabeça. Mais do que triste, tudo está a ser muito perturbante. Como os laços de família podem ser tão frágeis! Arranco um suspiro fundo: minha querida avó... nós nem nos despedimos!... éramos as melhores amigas, eu era a sua companhia e a avó a minha. Agora que estou de férias, todos os meus maiores bocadinhos livres eram para si... eu sei que estava doente, mas não pensei que... estou a sentir tanto a sua falta!
Por fim, as lágrimas vêm em meu socorro.

07/07/2009

A gente habitua-se


A gente habitua-se. Quer se queira que não, a gente acaba sempre por se habituar...
Habitua-se ao passado, que mais do que passado, torrado, moído, cru ou cozido; cosido ou tecido, ou só alinhavado; espalmado, enrolado, estendido, comprido ou nem tanto; tanto nos mói como nos mata, tanto nos afasta como nos oprime e ou muitas vezes nos salva ou redime.
A gente habitua-se ao presente, que é presente, dádiva ou castigo; por vezes um perigo e outras sorte; muitas vezes vida e outras morte.
A gente habitua-se ao futuro. Maduro ou duro; que pode ser resplandescente ou escuro, negro, fumegante, frio, quente, fervente, escaldante, pungente; sempre igual ou diferente; mas que se anseia puro, vivente.
A gente habitua-se!
Quer se esperneie quer não, acaba sempre por se habituar... e conformar...
Ou não...

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