segunda-feira

Atalho no Silêncio


A vida é composta de tantos momentos! 
Por vezes andamos ao sabor das ondas, outras vezes somos nós que imprimimos o rumo ao nosso barco, e tantas vezes contra a corrente. 
Algumas vezes podemos ir no seu embalo, outras devemos resguardar-nos. É preciso que encontremos o equilíbrio. Não nos releguemos para segundo plano, porque não nos podemos deixar fraquejar perante as cantigas das ondas; recebamos os seus beijos mas recusemos o seu jugo. 
Por vezes também precisamos que mais Alguém pegue nos nossos remos e reme connosco ou por nós. Pois muitas vezes o vento embala-nos, mas outras fustiga-nos. Não podemos deixar que a fúria do vento nos seque a alma, mas antes, deixemo-nos impregnar da suavidade da brisa mais ligeira, para que sejam os nossos dias como seda pura. 

E há sempre alguma (in)transparência na nossa vida que nos aquieta os passos por momentos – mais ou menos longos. Importa conseguir ver a luz para lá de qualquer neblina. Observar a luz evita certas tormentas. 

Convém estarmos abertos à aprendizagem – há quem nunca aprenda! –, a vida permite-nos aprender, tantas vezes a duras penas. Somemos vivências, todas as vivências, e depois guardemos só o que for bom de guardar. 

Acima de tudo, devemos ter consciência do que valemos, de modo a manter os pés bem assentes no chão: nem subir às nuvens, nem enfiar-nos num buraco. Mesmo que chegue a hora em que nos sentimos entre o voo e as pedras do caminho; por vezes atalho no silêncio, grito mudo de penitência e ou contemplação. 

A infância teceu-nos alvoradas na alma, que mais tarde nos fogem das mãos gretadas. Não nos resignemos.

4 comentários:

Pedrasnuas disse...

Grande lição de vida!Fez-me sentido! Sucintamente está escrito o essencial, os ensinamentos! Quem quiser que siga, mas faça-o de coração aberto! Rabisquei e utilizei a tesoura para pequenos cortes. : - )

Beijinhos

Blogoratti disse...

Great and interesting thoughts and perspective indeed. Warm greetings!

O Árabe disse...

Verdades enormes, ditas com leveza e poesia, Fa. Oxalá continues a nos presentear com estes atalhos para o silêncio, que tantas vozes despertam em nossas almas! Boa semana, amiga.

AC disse...

A vida, feliz ou infelizmente, não se compadece com receitas: cada um, à sua imagem e circunstância, tem que tecer, continuamente, a sua, sem receio de perguntar, de errar, de ousar...
Gostei muito do texto, Fá.

Abraço :)