Disse para si próprio que era loucura.
Quando tinha 23 anos deixara-se envolver, perdidamente, num romance dourado com a sua professora preferida daquele segundo semestre, a mais bela das mulheres, que agora, passados quase três anos, estava ali deitada naquela cama do hospital, com os filhos a cobri-la de beijos, depois de ter estado entre a vida e a morte.
Como era possível que não soubesse nada da sua vida, que tinha filhos, marido?...
Este pensamento atormentou-o. Se tinha filhos, devia haver um homem que a amava... porque não estava ele aqui? Não conseguiu acalmar a agitação provocada pela ideia de que outro homem, apesar de ausente, preenchia um lugar a que ele não tinha direito. "Eu não posso passar sem ela, não agora que a reencontrei."
Mas a verdade é que ela o tinha deixado... sim, claro, havia outro homem... o menino mais pequeno não teria 2 anos e o mais velho uns 7. Como pudera ser tão inocente? Que fazia ele ali, então? Só conseguiu, de momento, imaginar uma solução: iria embora.
Talvez que ela tivesse gostado realmente dele, mas as circunstâncias tinham-nos levado por caminhos diferentes, apesar de agora se terem voltado a cruzar... não, não sabia porque o destino os pusera de novo frente a frente... não sabia como a encarar de novo.
Isto estava a produzir-lhe um turbilhão de sensações confusas, contraditórias, que lhe tornavam dolorosa a sua permanência ali. Afastar-se-ia... rapidamente, antes que se arrependesse.
Deitou um último olhar àquele quadro, enquanto se dirigia à porta, sentindo-se estilhaçar todo por dentro.
Talvez voltasse... ou então não.
Quando tinha 23 anos deixara-se envolver, perdidamente, num romance dourado com a sua professora preferida daquele segundo semestre, a mais bela das mulheres, que agora, passados quase três anos, estava ali deitada naquela cama do hospital, com os filhos a cobri-la de beijos, depois de ter estado entre a vida e a morte.
Como era possível que não soubesse nada da sua vida, que tinha filhos, marido?...
Este pensamento atormentou-o. Se tinha filhos, devia haver um homem que a amava... porque não estava ele aqui? Não conseguiu acalmar a agitação provocada pela ideia de que outro homem, apesar de ausente, preenchia um lugar a que ele não tinha direito. "Eu não posso passar sem ela, não agora que a reencontrei."
Mas a verdade é que ela o tinha deixado... sim, claro, havia outro homem... o menino mais pequeno não teria 2 anos e o mais velho uns 7. Como pudera ser tão inocente? Que fazia ele ali, então? Só conseguiu, de momento, imaginar uma solução: iria embora.
Talvez que ela tivesse gostado realmente dele, mas as circunstâncias tinham-nos levado por caminhos diferentes, apesar de agora se terem voltado a cruzar... não, não sabia porque o destino os pusera de novo frente a frente... não sabia como a encarar de novo.
Isto estava a produzir-lhe um turbilhão de sensações confusas, contraditórias, que lhe tornavam dolorosa a sua permanência ali. Afastar-se-ia... rapidamente, antes que se arrependesse.
Deitou um último olhar àquele quadro, enquanto se dirigia à porta, sentindo-se estilhaçar todo por dentro.
Talvez voltasse... ou então não.
18 comentários:
Pode não ser fuga, não pode? Pode ser apenas um momento de reflexão...
É a vida não?
A vida é isto mm...
Bjos daqui
Pierrot
Melhor não... conservar, ao menos, os restos do sonho. :) Boa semana!
Os lugares dos outros atingem-nos na nossa insegurança!
complicado o nosso viver... encontros, desencontros, contradições...
é sempre um prazer passar por aqui.
(www.minha-gaveta.blogspot.com)
Um momento que pode ser
belo e doloroso!!!
Beijo com amizade,
E aqui escreves sobre um momento talvez de reflexão...
CONVITE:
Estive 5 dias isolada do mundo, num encontro espiritual comigo mesma, num monte alentejano e, por isso tenho que muito rapidamente divulgar a minha próxima exposição de fotografia.
Desta vez será no “Norte” a pedido de várias pessoas, em Fevereiro passado, quando foi a minha 1ª exposição individual aqui próximo de Lisboa, na margem sul.
Como gosto de desafios, houve “alguém” que me desafiou e disse que colaborava, nem pensei 2 vezes e decidi tratar do assunto em Abril passado.
Chegou Setembro e será a minha rentrée cultural.
Fica o convite para quem vive perto e noutros casos, em que a distância impossibilita a presença de tantos bloggers, fica a participação do evento.
Venho reforçar que teria todo o gosto em que estivesses presente na minha rentrée.
Será muito próximo do Porto, em S. Mamede de Infesta.
Acabei de fazer a divulgação no meu blog.
Abraços, TULIPA
Oi Fa menor...encontros e desencontros, verdades e mentiras, despedidas, realidade e ficção...vida vivida...gostei do que li, prendeu-me a atenção e a curiosidade...parabéns...um abraço na alma..bjo
A vida é mesmo assim, uns são caminhos sombrios, outros radiosos, ninguem sabe que chão ainda irá pisar.
Tudo de bom.
Bruno Cardona
"O coração tem razões que a razão desconhece".
A vida e seus caminhos por vezes tão desencontrados...
Abraços.
Olá, enquanto comentava o blog do Arabe vi você e o nome "Fa menor" me chamou a atenção porque toque e sei bem a sonoridade de um Fá Menor. Então vim até aqui.
Gostei da postagem, mas queria saber de onde tirou. Foi apenas uma idéia? Ou algo que você viu semelhante acontecendo?
Beijo
... há reencontros que são apenas isso: reencontros. Mas neste futura-me que haverá mais qualquer coisa...
há caminhos que ficamos de pernas a tremer.
sem coragem, continuaremos na nossa "caverna".
bj iluminoso.
p.s. n podes comentar no tal post pois n pos pra comentar. é pois um post sem comentário.
Quando a nossa presença não faz sentido, só nos resta desaparecer.
No amor e na vida em geral.
Gostei do texto querida amiga.
Beijo.
Fá,
Por vezes quando uma paixão nasce, só os dois é que importam, e nada do que os rodeia interessa. E quando assim é vive-se o momento como se o mundo lá fora não existisse, e com isso há muitas perguntas que ficam por fazer... eu diria todas as perguntas ficam por fazer.
Bjs.
Olá, querida amiga Fá!
Vou aguardar a continuação.
Por ora, parece um amor impossível...
Tenha um setembro abençoado!
Beijinhos
Me gusto el relato. Te mando un beso.
Muito bem escrito, impecável.
Abraço, Amiga.
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